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tratamento do estresse curitibaEstresse é uma resposta do organismo a um evento externo, que pode ser de duração curta, poucas horas ou dias, ou mais crônica, semanas ou meses.

Estress ou stresse pode ser definido como (a) a soma de respostas físicas e mentais causadas por determinados estímulos externos (estressores) e que permitem ao indivíduo (humano ou animal) superar determinadas exigências do meio ambiente e (b) o desgaste físico e mental causado por esse processo.

O termo estresse foi tomado emprestado da metalurgia, onde designa a tensão e o desgaste a que estão expostos os materiais, e usado pela primeira vez no sentido moderno pelo médico Hans Selye na revista científica Nature.

O estresse pode ser causado por uma brusca mudança no estilo de vida e a exposição a um determinado ambiente, que leva a pessoa a sentir um determinado tipo de angústia. Quando os sintomas de estresse persistem por um longo intervalo de tempo, podem ocorrer sentimentos de evasão (ligados à ansiedade e depressão). Os nossos mecanismos de defesa passam a não responder de uma forma eficaz, aumentando assim a possibilidade de vir a ocorrerem doenças, especialmente as cardiovasculares.

O termo estresse, desgaste ou consumação, foi usado por Selye com um sentido neutro – nem positivo nem negativo. Ele o definiu como “reação não-específica do corpo a qualquer tipo de exigência” ou falta de esportes físicos. A partir dessa definição Selye diferencia dois tipos de estresse: o eustresse (eustress) ou agaste, que indica a situação em que o indivíduo possui meios (físicos, psíquicos…) de lidar com a situação, e o distresse (distress) ou esgotamento, que indica a situação em que a exigência é maior do que os meios para enfrentá-la. Apesar de ainda ser usado em inglês, o termo “distresse” caiu quase em desuso, sendo substituído pelo próprio termo estresse, que passou a ter o sentido (atual) negativo de desgaste físico e emocional.

Outro termo importante no estudo do estresse é o termo estressor ou esgotador, que indica um evento ou acontecimento que exige do indivíduo uma reação adaptativa à nova situação; a essa reação se dá o nome de coping. Tais reações de coping ou adaptação podem ser funcionais ou disfuncionais, conforme cumpram ou não sua função na superação da situação na adaptação a ela.

Os estressores, dependendo do grau de sua nocividade e do tempo necessário para o processo de adaptação, dividem-se em:

acontecimentos biográficos críticos (ing. life events): são acontecimentos (a) localizáveis no tempo e no espaço, (b) que exigem uma reestruturação profunda da situação de vida e (c) provocam reações afetivo-emocionais de longa duração. Esse acontecimentos podem ser positivos e negativos e ter diferentes graus de normatividade, ou seja, de exigência social. Exemplos são casamento, nascimento de um filho, morte súbita de uma pessoa, acidente, etc;

estressores traumáticos: são um tipo especial de acontecimentos biográficos críticos que possuem uma intensidade muito grande e que ultrapassam a capacidade adaptativa do indivíduo;

estressores quotidianos (ing. daily hassels): são acontecimentos desgastantes do dia-a-dia, que interferem no bem-estar do indivíduo e que veem essas experiencias como ameaçadoras, magoantes, frustrantes ou como perdas. Exemplos são problemas com o peso ou com a aparência, problemas de saúde de parentes próximos que exigem cuidados, aborrecimentos com acontecimentos diários (cuidados com a casa, aumento de preços, preocupações financeiras, etc.);

estressores crônicos (ing. chronic strain): são (a) situações ou condições que se extendem por um período relativamente longo e trazem consigo experiências repetidas e crônicas de estresse (exemplos: excesso de trabalho, desemprego, etc.) e (b) situações pontuais (ou seja com começo e fim definidos) que trazem consigo consequências duradouras (Exemplo: estresse causado por problemas decorrentes do divórcio).

Exemplos de estressores:

- Problemas amorosos;
– Dor e mágoa;
– Luz forte;
– Níveis altos de som;
– Trabalho/estudo: intimidação (“bullying”), provas, tráfego lento e prazos pequenos para projetos;
– Relacionamento pessoal: conflito e decepção;
– Estilo de vida: comidas não-saudáveis,
– Exposição de estresse permanente na infância (abuso sexual infantil).

O estresse, apesar de ser um agressor externo, ocasiona, no entanto, problemas de ordem física e emocional, de acordo com as características do indivíduo e da intensidade do agente considerado como estressor.

Os estressores crônicos, apesar de não terem a intensidade típica dos agudos, podem ser tão danosos quanto, pois o “acúmulo” de agressão ao psiquismo pode ocasionar sintomas mais tardiamente, meses ao até mesmo anos após o início da exposição ao agente externo. As chamadas doenças psicossomáticas são exemplos de como estressores podem levar ao desencadeamento de doenças. Gastrite, psoríase, pressão alta e até mesmo diabetes tipo II são alguns dos exemplos.

A explicação para o fenômeno do estresse como agente causador de doenças pode ser compreendido através do funcionamento do sistema hipotálamo-hipófise- drenal.

O hipotálamo tem correlação anatômica e funcional diretamente com áreas do cérebro responsáveis pelo desencadeamento e interpretação de emoções frente a um estímulo externo. Desde uma sensação de frio, sede e fome, ou eventos mais violentos, como agressão física, mais aguda, mais recente, ou a a agentes mais duradouros, como, por exemplo, ruído no escritório ou contato interpessoal conflituoso e desgastante.

O hipotálamo envia mensagens para uma outra região localizada logo abaixo dele, a glândula hipofisária. Esta, por sua vez, estimulada pelas mensagens advindas do cérebro que são interpretadas como ameaçadores, envia, através de nervos que percorrem todo o organismo, ou através de vasos sanguíneos, pelo sangue, substâncias estimulantes que, com o passar do tempo, provocam alterações nos órgãos que estão distantes do sistema nervoso central, como o coração e as glândulas suprarenais.

Está desencadeada, portanto, uma reação em cadeia, que se não devidamente equilibrada e controlada, leva ao desenvolvimento de doenças.