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A história da hipnose é cheia de contradições. A história da hipnose é um pouco como uma história do ato de respirar. Como a respiração, a hipnose é uma característica inerente e universal, compartilhada e vivida por todos os seres humanos desde a aurora dos tempos. Por outro lado, é apenas nas últimas décadas que a ciência tem conseguido explicar a hipnose. O fenômeno hipnótico em si não mudou por milênios. Hipnose em si não mudou por milênios, mas a nossa compreensão dele e a capacidade de utilizá-lo na prática médica sim. A história da hipnose, então, é a história desta mudança de percepção.

No século 21, ainda há aqueles que veem a hipnose como uma forma de poder oculto. Há aqueles que acreditam que a hipnose pode ser usada para realizar milagres ou controlar a mente. Esta era a visão antiga e arcaica da Hipnose. A história registra a prática de rituais que se assemelham em muito com a cura mencionada em textos Vedas, do hinduísmo a textos mágicos do antigo Egito. Estas práticas ou eram utilizadas para a cura de doenças ou para fins mágicos ou religiosos, com a intenção de se comunicarem com deuses ou espíritos. É importante lembrar, no entanto, que o que vemos como o ocultismo foi o estabelecimento científico de sua época, com exatamente o mesmo propósito que a ciência moderna – de cura males humanos e aumentar o conhecimento.

Do ponto de vista ocidental, o momento decisivo na história da hipnose ocorreu no século 18 (coincidindo com o Iluminismo e da Idade da Razão). Franciscus Antonius Mesmer nasceu em 23 de maio de 1734, numa região que hoje pertence à Alemanha. Interessou-se desde cedo por astrologia e após desligar-se de uma futura carreira monástica, ingressou na Universidade de Viena para estudar medicina.

Apoiado na ideia de que astros e estrelas exerciam alguma influência séria no aparecimento e na cura das doenças, Mesmer atribuía aos corpos celestes a emissão de um misterioso “fluído” ligando os corpos entre si e todos ao conjunto estelar. Tal “fluído” que titulou de magnetismo animal teria ainda a particularidade de ser captado e reservado por corpos metálicos especiais que se poderiam usar terapeuticamente sob determinado controle.

Sentindo o valor de sua presença na obtenção de bons resultados terapêuticos, atribuía qualidades magnéticas diretamente recebidas dos astros e que podia ser transmitido a outrem bastando tocá-los diretamente ou em fazer com que tocassem objetos que havia previamente manuseado. E como a clínica aumentasse assustadoramente criou um novo sistema de maneira que pudesse atender a todos os pacientes: “magnetizando” cadeiras e utensílios de sua sala de espera e ainda um aparelho metálico que fez construir e do qual se desprendiam inúmeras hastes individuais, bastava agora aos pacientes sentarem-se ou tocaram tal instrumento para que imediatamente sentissem convulsões ou entrassem em “êxtase magnético”.

Por ignorância da natureza do verdadeiro estado hipnótico e de suas causas que são exclusivamente fisiológicas, Mesmer atribuía aos astros e aos metais aquilo que dependia exclusivamente de sua palavra e da capacidade de imaginação de cada paciente. saber que a sua noção de “magnetismo animal”, transferido do terapeuta para o paciente através de um fluido etérico misterioso, é irremediavelmente errada, ele estava firmemente baseada em idéias científicas atuais, no momento, em especial na teoria da gravitação de Isaac Newton.

Mesmer também foi o primeiro a desenvolver um método consistente para a hipnose, o que foi passado para e desenvolvido por seus seguidores. Ainda era uma prática muito ritualística. Mesmer, por exemplo, gostava de realizar induções de massa por ter seus pacientes ligados entre si por uma corda, ao longo do qual seu “magnetismo animal” poderia passar. Ele também gostava de se vestir com um manto e tocar música etérea na gaita de vidro, enquanto isso estava acontecendo. A imagem popular do hipnotizador como uma figura carismática e mística pode ser firmemente datado para este tempo.

Não se pode negar a Mesmer o mérito de ter praticado o hipnotismo, divulgando-o, atraindo para o mesmo a curiosidade e a atenção dos meios científicos, muito embora não soubesse em absoluto o que estava manejando. Por outro lado, é impossível deixar de condená-lo pelo caráter espetaculoso e charlatanesco que imprimiu aos seus trabalhos. Mesmer, ao contrário do que se tem afirmado, não teve qualquer participação no estabelecimento dos caminhos fisiológicos e científicos da Hipnose. Derivou para concepções absurdas tais como influências astrológicas ou fluídas magnéticas ou pessoais para explicar o fenômeno.

Mesmer faleceu a 5 de março de 1815 na cidade de Meesburg.

Inevitavelmente, estas armadilhas mágicas levaram à queda de Mesmer, e por um longo tempo, o hipnotismo era um terreno perigoso para quem quisesse ser levado a sério nos meios acadêmicos do século 19.

Cirurgiões como John Elliotson e Esdaille James foram pioneiros no seu uso na cirurgia, arriscando suas reputações ao fazê-lo, enquanto médicos como James Braid começaram a pesquisar a Hipnose com explicações mais plausíveis como um fenômeno de origem neurológica, revelando os mecanismos físicos e biológicos que fazem parte do fenômeno.